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Biólogo assume Cadeira nº 2 da Academia Espírita de Letras

Kadu Sant’Ana (Foto: álbum de família)

“Recebo esta distinção com profunda alegria”, afirmou Kadu Sant’Ana

Jales Naves
Especial para o jornal A Redação

Goiânia – Com trajetória construída no campo das Ciências Biológicas, doutor em Biologia e professor da Universidade Federal de Goiás, o biólogo Carlos Eduardo Ramos de Sant’Ana (Kadu), que dedicou grande parte da sua vida ao estudo, à pesquisa, ao ensino e à tentativa de compreender a extraordinária complexidade da vida, foi eleito por unanimidade e empossado na tarde de sábado, dia 5, como novo membro da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, passando a ocupar a Cadeira nº 2. A sua aproximação com o Espiritismo acrescentou a essa busca uma dimensão que considera profundamente enriquecedora: “a reflexão sobre o ser humano para além de sua dimensão exclusivamente material, sobre sua trajetória evolutiva, sua responsabilidade diante da existência e seu compromisso com o próximo”, afirmou.

“Recebo esta distinção com profunda alegria, mas, sobretudo, com humildade e senso de responsabilidade”, disse. Integrar a Academia representa, para ele, muito mais do que ocupar uma cadeira em uma instituição dedicada às letras. “Significa assumir o compromisso de contribuir, dentro das minhas possibilidades, para a preservação, valorização e divulgação de uma tradição intelectual e cultural que tem no livro, na palavra e no pensamento instrumentos essenciais de transformação do ser humano”, frisou.

Ciência e espiritualidade
“Talvez seja justamente nessa confluência entre ciência, educação, espiritualidade e literatura que eu encontre o significado mais profundo desta posse”, salientou. Para a Cadeira, escolheu como patrono Hermínio C. Miranda, escritor, pesquisador e um dos mais respeitados estudiosos da literatura espírita brasileira. Sua escolha não se deve apenas à extensão e à qualidade de sua obra, mas principalmente à atitude intelectual que ela revela. “Hermínio não se contentava com respostas fáceis. Investigava, comparava, questionava e procurava compreender os fenômenos espirituais em suas múltiplas dimensões, transitando com liberdade e responsabilidade por temas como mediunidade, reencarnação, memória, obsessão, personalidade e sobrevivência da consciência”, ressaltou.

 “Em Hermínio encontro, portanto, uma inspiração particularmente próxima de minha própria formação: a curiosidade diante do desconhecido e o compromisso com o estudo. Seu exemplo demonstra que a fé espírita não precisa significar abandono da razão e que a investigação intelectual, quando acompanhada de humildade, pode ser também uma forma de serviço”, destacou.

Ao escolher Hermínio Miranda, presta homenagem igualmente a tantos outros construtores da cultura espírita. “A Allan Kardec, pela coragem intelectual de organizar os fundamentos da Doutrina Espírita; a Léon Denis, pela profundidade filosófica de sua obra; a Gabriel Delanne, pelo esforço pioneiro de aproximar o pensamento espírita da investigação científica; a Bezerra de Menezes, pela dedicação ao movimento espírita brasileiro; e a tantos escritores e médiuns que, por meio de seus livros, fizeram da palavra escrita um instrumento de esclarecimento e consolo”, sublinhou. “Penso também em Chico Xavier e Divaldo Franco, cujas vidas e obras demonstram a extraordinária força que a literatura espírita pode alcançar quando associada à simplicidade, à caridade e ao trabalho perseverante”.

Continuar estudando
É nessa linhagem que situou sua presença na Academia: “não como quem chega trazendo certezas definitivas, mas como quem se dispõe a continuar estudando, aprendendo, dialogando e servindo”, assegurou. Uma Academia de Letras não preserva apenas livros. “Ela preserva memória, ideias, valores e experiências humanas. E uma Academia Espírita de Letras possui, a meu ver, uma responsabilidade adicional: demonstrar que a literatura espírita pode ser, simultaneamente, instrumento de elevação moral, expressão cultural e estímulo ao pensamento crítico e à reflexão”.

Ao receber a Cadeira reafirmou ser, para ele, uma honra, mas também um compromisso. “Compromisso com a palavra responsável; com o estudo sério; com a liberdade de pensamento; com a fidelidade aos princípios espíritas; e, sobretudo, com a compreensão de que todo conhecimento que não se converte em benefício para o próximo corre o risco de permanecer apenas como acúmulo intelectual”. “Que eu possa honrar esta Cadeira e seu patrono não apenas pelo que escrever ou falar, mas principalmente pela maneira como procurar colocar conhecimento, experiência e palavra a serviço do bem”, disse.

Agradeceu à Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás pela confiança, “aos confrades e confreiras pela acolhida, aos familiares e amigos pelo apoio e, acima de tudo, à espiritualidade amiga que nos inspira e nos recorda, a cada passo, que o verdadeiro valor das letras está naquilo que elas conseguem transformar em nós e naquilo que, através de nós, conseguem transformar nos outros”.

Fonte: A Redação – https://aredacao.com.br/biologo-assume-cadeira-no-2-da-academia-espirita-de-letras/

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