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Desmatamento no Cerrado recua 23,8% e atinge menor patamar da série histórica, diz levantamento

Desmatamento | Foto: Reprodução

Goiás registrou redução de 8,9% na supressão de vegetação nativa, com 210,37 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026

O desmatamento no Cerrado caiu 23,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com o período anterior, e atingiu o menor índice da série histórica do bioma, iniciada em 2001. Os dados divulgados pelo governo federal nesta sexta-feira, 16, com base no Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apontam que foram suprimidos 5.516,69 quilômetros quadrados de vegetação nativa no período, contra 7.235,27 km² no ciclo anterior.

Em Goiás, a área desmatada também apresentou redução. O estado passou de 230,97 km² de vegetação nativa suprimida entre agosto de 2024 e julho de 2025 para 210,37 km² no período mais recente, uma queda de 8,9%. Apesar da diminuição, o território goiano continua entre os estados com registro de perda de vegetação do Cerrado.

O resultado nacional representa o menor patamar desde o início da série histórica do bioma. Até então, o menor índice havia sido registrado em 2019, quando foram contabilizados 6.319 km² de desmatamento.

A redução, contudo, ocorreu de forma desigual entre os estados. O Maranhão registrou a maior área de supressão de vegetação nativa, com 1.718,59 km², seguido pelo Tocantins, com 1.263,06 km². O Piauí contabilizou 625,24 km², enquanto a Bahia teve 489,75 km².

Juntos, os quatro estados que integram o Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, responderam por 74,3% de todo o desmatamento registrado no Cerrado no período analisado.

Vinhedo da Vinícola Assunção em contraste com o cerrado l Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Entre os estados com maior redução proporcional, o Piauí se destacou, com queda de 53,7%, passando de 1.350,44 km² para 625,24 km². Na Bahia, a diminuição foi de 38%, enquanto o Maranhão apresentou recuo de 14,3% e o Tocantins, de 15,2%.

Em Minas Gerais, a área desmatada caiu 8,7%, de 512,02 km² para 467,34 km². Já Mato Grosso registrou uma variação de apenas 0,2% para baixo, passando de 455,39 km² para 454,52 km². No Mato Grosso do Sul, a redução foi de 23,3%.

Monitoramento e fiscalização

O governo federal atribui a estratégia de combate ao desmatamento à combinação de monitoramento por satélite, fiscalização ambiental, ordenamento territorial e incentivo a atividades produtivas sustentáveis. As ações são organizadas pelo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Bioma Cerrado (PPCerrado), restabelecido em 2023, em cooperação com estados e municípios.

Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o país e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, que somaram R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo intervalo, foram embargados 18.630 km² e emitidos 15.306 termos de apreensão, avaliados em R$ 2,6 bilhões, além de 4.088 termos de destruição, com valor estimado em R$ 1,26 bilhão.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por sua vez, lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas, além de mais de 5 mil termos de embargo.

Além da fiscalização, a política federal prevê incentivos financeiros para produtores rurais que mantenham a vegetação nativa e adotem práticas agropecuárias sustentáveis. No Plano Safra 2026/2027, produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e regular, em processo de regularização ambiental ou sem passivo ambiental podem obter redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros das operações de custeio.

A adoção de práticas sustentáveis garante uma redução adicional de 0,5 ponto percentual, limitada a um ponto percentual no total. A medida busca associar o acesso ao crédito rural à conservação ambiental e à adequação das propriedades às exigências legais.

O governo também anunciou recursos para ampliar o monitoramento da vegetação nativa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, aprovou R$ 147,6 milhões para o Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas).

O projeto utilizará inteligência artificial para integrar sistemas de monitoramento e produzir dados do Prodes ao longo do ano. A iniciativa também prevê ampliar a cobertura do sistema Deter para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, além de aprimorar o mapeamento de áreas queimadas em todos os biomas.

Desmatamento e queimadas são indicadores diferentes

O levantamento do Prodes mede a supressão de vegetação nativa, enquanto os indicadores de queimadas monitoram a ocorrência de fogo e a extensão das áreas atingidas. Por isso, a redução do desmatamento não significa necessariamente que houve diminuição proporcional dos incêndios ou dos danos ambientais.

O período analisado pelo Prodes 2026 vai de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026. Incêndios ocorridos depois desse intervalo, como os registrados em outubro, não entram nessa medição anual.

Além disso, nem toda área atingida pelo fogo é contabilizada automaticamente como desmatamento. A classificação depende dos efeitos sobre a vegetação e dos critérios técnicos do monitoramento. O fogo pode atingir áreas já abertas ou degradar a vegetação nativa sem provocar sua supressão imediata.

O Prodes Cerrado considera a perda de vegetação nativa em diferentes formações do bioma, incluindo áreas florestais, savânicas e campestres. Já a avaliação sobre a legalidade da supressão exige o cruzamento dos dados de monitoramento com autorizações ambientais e outras informações territoriais.

FONTE: JORNAL OPÇÃO

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