Projetos de sucesso são reconhecidos pela Secretaria de Educação do DF com objetivo de educar futuras gerações para prevenção e combate aos crimes cometidos contra as mulheres. O Penha está na escola e o Entre elas são alguns deles
07/08/2023
Os mecanismos de repressão à violência contra a mulher têm avançado nos últimos anos, com as leis Maria da Penha e do feminicídio como qualificador do homicídio praticado em razão do gênero da vítima. No entanto, a batalha contra a escalada do número de mortes de mulheres no Distrito Federal precisa ocorrer em outras frentes, principalmente na educação, onde projetos exitosos promovem a mudança de consciência em relação à cultura do machismo.
Os mecanismos de repressão à violência contra a mulher têm avançado nos últimos anos, com as leis Maria da Penha e do feminicídio como qualificador do homicídio praticado em razão do gênero da vítima. No entanto, a batalha contra a escalada do número de mortes de mulheres no Distrito Federal precisa ocorrer em outras frentes, principalmente na educação, onde projetos exitosos promovem a mudança de consciência em relação à cultura do machismo.
Os mecanismos de repressão à violência contra a mulher têm avançado nos últimos anos, com as leis Maria da Penha e do feminicídio como qualificador do homicídio praticado em razão do gênero da vítima. No entanto, a batalha contra a escalada do número de mortes de mulheres no Distrito Federal precisa ocorrer em outras frentes, principalmente na educação, onde projetos exitosos promovem a mudança de consciência em relação à cultura do machismo.
De acordo com a coordenadora, algumas mudanças são perceptíveis na convivência da comunidade escolar. “A primeira mudança foi na forma como a direção passou a tratar as questões relacionadas à violência. Antes, era um tratamento mais silencioso. Agora, a instituição já promove mais diálogos pautados nos direitos humanos e no respeito à diversidade”, observa.
“As meninas também estão mais empoderadas, mais à vontade para expressar opiniões e reagir diante de situações abusivas. Muitas vezes, a mulher nem sabe que está passando por uma situação problemática e fica presa nesse contexto”, sustenta Delgado. “As meninas também estão relatando mais essas situações para a equipe da escola, porque elas sabem que serão acolhidas. E, quando necessário, encaminhamos a situação para a rede de proteção, acionando as autoridades competentes de cada caso”, complementa.
Manuela Fonseca Flores, 15 anos, participa do Entre elas desde o início do ano. A estudante do 1º ano do Ensino Médio afirma ter aprendido o real valor da mulher com o projeto. “O machismo coloca na cabeça das mulheres que elas são fracas, que não têm poder. Mas, a verdade é que somos fortes, donas de si. Não devemos ter medo, mas, sim, coragem. Nenhum homem pode dizer o que devemos fazer ou como nos vestir”, declara a estudante, que ainda destaca a importância da autoestima da mulher para o empoderamento.
Cultura da paz
Maria das Graças de Paula Machado, subsecretária de Formação Continuada dos Profissionais de Educação da Secretaria de Educação, conta que o órgão oferece cursos às equipes das escolas a fim de fomentar a cultura de paz. “Os profissionais da educação recebem orientação dos formadores para que desenvolvam a capacidade de perceber sinais de violência, mudanças de comportamento e outros tipos de abusos no corpo discente, para que, então, as autoridades competentes sejam acionadas”, explica a gestora. Os projetos reconhecidos pelo Eape, segundo Maria das Graças, serão replicados nas outras unidades de ensino da rede pública do DF, após ação de capacitação das equipes de cada escola.
A secretária da Mulher do DF, Giselle Ferreira, é professora de formação e diz saber, na prática, o poder da educação na transformação de vidas. “Precisamos mudar a mentalidade de uma geração, fortalecer meninos e meninas no entendimento da importância do respeito e ensinar que em briga de marido e mulher se mete a colher, sim”, sustenta. Por conta da natureza multidisciplinar do assunto, ela aposta em parcerias com as secretaria de Educação e de Segurança Pública (SSP), o TJDFT e a Defensoria Pública do DF. “A mulher informada inibe a agressão e o agressor”, argumenta.
Entre outros projetos, Giselle elenca o Maria da Penha vai à escola, parceria com o Tribunal de Justiça, e o Maria da Penha vai à igreja, parceria com a SSP, com o objetivo de conscientizar líderes de todas as denominações religiosas acerca do problema da violência de gênero.
Ferramenta potente
A juíza Gislaine Campos Reis, coordenadora do Núcleo Judiciário da Mulher e titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Santa Maria, foi uma das representantes do TJDFT que participaram do projeto Penha está na escola. A magistrada conta ao Correio que a Lei Maria da Penha indica que as instituições de diferentes áreas precisam se articular para garantir os direitos das mulheres, como saúde, educação, judiciário e Ministério Público. “Falar sobre a Lei Maria da Penha e outros normativos de proteção é mostrar aos estudantes a necessidade de uma sociedade em que meninos e meninas possam viver em igualdade de condições para expor suas habilidades, suas competências. E igualdade também pressupõe uma vida sem violências, quando, por exemplo, um namoro é desfeito”, sustenta a juíza.
“Para mim, como magistrada de violência doméstica da cidade há 10 anos, é muito gratificante ver o tema ser tratado com tanto cuidado, sensibilidade e técnica pelas escolas de Santa Maria e tento participar de perto e ativamente do programa, pois acredito que a educação de fato é a ferramenta mais potente para que haja efetiva mudança no cenário de violência contra a mulher”, diz Gislaine, que lembra que o projeto foi idealizado pelo Núcleo Judiciário da Mulher do TJDFT e que hoje abarca 14 instituições de ensino.
Fonte: Correio Braziliense






