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Em conversa interceptada, traficante ‘Professor’ diz que calibre de arma oferecida é ‘fraco’ para o Rio de Janeiro

Na terça-feira (5), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra um grupo suspeito de entregar milhares de armas para os chefes das maiores facções do Brasil, movimentando R$ 1 bilhão.

O Fantástico do último domingo (10) mostrou os detalhes da megaoperação contra venda ilegal de armas no Brasil.

Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, o traficante de drogas Fhillip da Silva Gregório, de 36 anos, conhecido como “Professor”, chegou a reclamar de um arsenal comprado. Além disso, em uma de suas negociações, ele recusa um revólver de 308 porque é “fraco” para o Rio de Janeiro:

“A questão não é preço, até se você quisesse me dar essa pistola, aqui no Rio, a gente não usa mais esse calibre porque ele é muito fraco. 308 é fraco. Tem que ser 9, 40, 45!”, diz.

Em outra mensagem, Fhillip reclama dos fuzis que comprou. “Poxa, amigo. Os quatro estão sem rajada, mano”, diz. Rajada é o modo de guerra.

“Olha que coronha feia, mano. A coronha tá soltando, mano. Trabalhar assim fica difícil, meu amigão. Mano, se eu vejo um negócio desse, aí eu mandava até devolver, mano. Eu nem pagava (…) Só estava vindo negócio bonitão, tudo funcionando. Da última remessa que chegou aqui na minha mão, seis eram rajada”, reclamou o “Professor”.
O arsenal era comprado de Diego Hernan Dirísio, de 49 anos, o maior traficante de armas da América do Sul. Tanto Fhillip como Diego estão foragidos.

Investigação durou 3 anos
Na semana passada, 54 pessoas foram alvos de uma operação da PF brasileira, em conjunto com os governos do Paraguai e dos Estados Unidos. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 43 endereços nos três países – 16 pessoas foram presas até agora.

A investigação durou três anos e se iniciou a partir da apreensão de pistolas e fuzis na Bahia. A PF estima que, de 2020 até aqui, o esquema de Diego Hernan Dirísio tenha movimentado R$ 1 bilhão.

A empresa de Dirísio fazia vendas legais de armas no Paraguai. As compras eram feitas usando a própria empresa dele que, até então, era legal.

O armamento entrava primeiro no país vizinho com autorização da Dimabel, órgão de fiscalização de armas no Paraguai, chefiado por militares. Trocas de mensagens mostram que, desde 2020, Dirísio corrompia oficiais de alta patente com presentes de aniversário.

Fonte: Fantástico

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