CEO da Mundi Ambiental detalha impacto positivo da coleta de resíduos em Goiás

Campanha promove conscientização e preservação ambiental entre turistas e locais | Foto: Reprodução/ Instagram
Em uma operação que navega pelas águas do Rio Araguaia, a empresa goiana Mundi Ambiental deu início, no último dia 1º de julho, a uma campanha de coleta de óleo de cozinha usado nos acampamentos, bares e restaurantes de Aruanã, um dos destinos turísticos mais conhecidos de Goiás. A empresa é especialista no tratamento e comercialização de óleos e gorduras e já evitou a contaminação de 10 trilhões de litros de água, cálculo anual que projeta a magnitude do trabalho da companhia a partir do volume de resíduo que ela impede de ser despejado no meio ambiente.
Durante entrevista ao Jornal Opção, Sérgio Murillo, CEO da Mundi Ambiental, revisita a trajetória da organização e revela a dimensão do impacto ambiental gerado. “A empresa começou há 17 anos. Nossa primeira ação de coleta foi em 2009 e começou na cidade de Goiânia. Hoje nós já estamos em cinco estados, então a gente coleta por Goiás todo, coleta no Pará, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso”, detalha o executivo. O alcance sustenta uma engrenagem que, mensalmente, realiza cerca de 5,5 mil coletas e mantém em operação uma frota de 36 caminhões dedicados à tarefa.
A companhia, que pertence ao Grupo BR Render, tem sua unidade de processamento localizada na matriz em Aparecida de Goiânia, e transformou um resíduo problemático em uma commodity ambiental valiosa. Ao detalhar a logística do negócio, Murillo descreve a relação direta com os geradores do resíduo. A equipe negocia um valor com cada estabelecimento, instala tambores padronizados de 50 ou 100 litros, a depender da demanda do local,e estabelece uma rota periódica de recolhimento que pode ser semanal para grandes geradores ou quinzenal para os menores.
“100% do óleo coletado, a gente paga alguma coisa pro restaurante e gera alguma receita pra ele”, afirma, ressaltando que, além do retorno financeiro, o parceiro comercial recebe ainda um selo de certificação que comprova a destinação ambientalmente correta do insumo.
Após a coleta, todo o material recolhido nos cinco estados segue para o parque industrial de Aparecida de Goiânia, onde passa por um rigoroso processo de purificação em um equipamento chamado tridecanter. Conforme explica Sérgio Murillo, a máquina remove toda a umidade e as impurezas do óleo de fritura usado. Uma vez limpo, o produto ganha novos e sofisticados destinos no mercado global de energia limpa.
Esse óleo hoje, ele é vendido para biocombustíveis. É biodiesel no Brasil e o diesel verde, que é o Green Diesel, e o SAF (Sustainable Aviation Fuel), que é o combustível de aviação”, enumera o CEO, deixando claro que a companhia atua como fornecedora estratégica da matéria-prima reciclada para as usinas produtoras de biocombustível, fomentando a cadeia do crédito de carbono, o C-Bio.
Enquanto consolida sua atuação em cerca de 75 municípios goianos, incluindo postos de combustível de rodovia, a empresa mira agora as areias de Aruanã. Para encarar os desafios da geografia local, a equipe adaptou a logística e subiu nos barcos para alcançar os acampamentos nas margens do rio. A iniciativa consistiu em percorrer a região no dia 1º de julho, deixando recipientes próprios para o armazenamento do óleo usado.
“Então a gente colocou os tambores na canoa, saiu, deixou os tambores em cada ponto, e agora nós vamos voltar para fazer essa coleta de óleo por volta do dia 20 de julho”, anuncia Murillo. A operação não apenas evita que o óleo residual contamine o lençol freático, a areia e as águas do Araguaia, num cenário em que o resíduo era, muitas vezes, abandonado por ali mesmo, como também garante uma renda extra aos campistas. A companhia já mantém contato por telefone para definir se o retorno logístico mais vantajoso ocorrerá no dia 15 ou 20, a depender da quantidade acumulada.
Além do ganho ambiental imediato, o impacto da ação se projeta no serviço público de saneamento. Murillo pontua que o trabalho alivia a carga de tratamento da concessionária local. “Hoje, eu acho que é um serviço que beneficia muito, principalmente a Saneago, porque quantos mililitros de água deixam de ir para o tratamento se estiverem contaminados. A gente evita que isso aconteça”.
Para dimensionar esse benefício, ele retoma a conta que sustenta a bandeira da empresa: estima-se que um único litro de óleo descartado irregularmente polua 1 milhão de litros de água. Com um volume de coleta que alcança cerca de 10 milhões de litros de óleo por ano, a conta se torna monumental. “Nas nossas operações, eles falam que a cada 1 litro de óleo, se esse óleo for pra água, pro meio ambiente, ele polui 1 milhão de litros de água. Então, se a gente fizer essa conta, nós estamos falando aí que a gente deixou de poluir 10 trilhões de litros de água”, reforça.
Apesar do sucesso operacional, Sérgio Murillo revela um desejo antigo que permanece como desafio: a criação de uma legislação que torne obrigatória a destinação do óleo usado exclusivamente para empresas licenciadas, atrelando essa prática à concessão do alvará de funcionamento dos estabelecimentos. Ele acredita que a medida traria ganhos universais, gerando um selo verde para bares e restaurantes e fortalecendo o mercado formal da reciclagem.
Contudo, pondera o executivo, a articulação política enfrenta resistências do próprio setor de alimentação fora do lar, que teme o aumento da fiscalização. “Mas esse é um desafio nosso que eu acho que a gente ganharia muito, sabe todo mundo. (…) a gente sempre fica nesse meio termo e não conseguimos fazer isso ainda”, lamenta.
Fato é que, na atualidade, a empresa aposta na construção de um relacionamento de confiança ao tratar o resíduo como um problema cuja solução é economicamente viável. “Se você chega com uma boa proposta e principalmente com um bom serviço que realmente você vai voltar e vai coletar, normalmente ele é muito bem aceito”, sentencia Murillo.
Para a temporada de julho, a expectativa é que cada tambor higienizado e identificado deixado à beira do rio simbolize um passo a mais na preservação do cerrado e de suas águas. “Durante a temporada, cada atitude faz diferença. A participação da população, dos empresários e dos turistas é fundamental para manter o Rio Araguaia limpo e preservar toda a riqueza natural que faz de Aruanã um dos principais destinos turísticos do nosso Estado”, conclui o CEO.
Quem tiver interesse em participar da coleta ou conhecer os serviços da empresa, que também atua na exportação de UCO, pode entrar em contato pelo site da Mundi Ambiental.
FONTE : JORNAL OPÇÃO






