Documento judicial reconhece falhas do governo americano, da aviação civil e do Exército em acidente entre helicóptero militar e avião comercial ocorrido em janeiro deste ano
Foto: Washington Post
O governo dos Estados Unidos reconheceu oficialmente sua responsabilidade pela colisão aérea ocorrida nos arredores de Washington, que deixou 67 pessoas mortas em janeiro deste ano. A admissão consta em um documento judicial apresentado nesta semana no âmbito de uma ação civil movida por familiares de uma das vítimas.
O reconhecimento de culpa foi formalizado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que afirma que o Estado americano descumpriu o “dever de cuidado” que tinha em relação aos passageiros do voo comercial. Segundo o texto, essa falha contribuiu de forma direta para a ocorrência do acidente.
No documento, o governo atribui responsabilidade à Administração Federal de Aviação (FAA), apontando que procedimentos obrigatórios de controle do tráfego aéreo não foram devidamente seguidos. Entre as falhas citadas está a atuação do controlador de voo, que teria delegado de forma inadequada aos pilotos a manutenção da separação visual entre as aeronaves.
Além disso, o governo americano reconhece falhas do Exército dos Estados Unidos. De acordo com o relatório, os pilotos do helicóptero militar envolvido no acidente não mantiveram vigilância suficiente para identificar e evitar a aproximação do avião comercial, o que foi classificado como uma causa “real e direta” da colisão.
O texto também destaca que, embora o risco de acidentes aéreos não possa ser totalmente eliminado, cabe às autoridades reduzir ao máximo a possibilidade de ocorrências desse tipo, sobretudo em áreas de intenso tráfego aéreo, como o entorno da capital federal.
A admissão de responsabilidade ocorre enquanto seguem as investigações técnicas conduzidas pelo National Transportation Safety Board (NTSB). Apurações preliminares já indicaram falhas de comunicação e possíveis problemas em instrumentos de navegação, mas o relatório final ainda não foi divulgado.
O reconhecimento de culpa abriu caminho para o avanço das ações judiciais movidas por familiares das vítimas e reacendeu o debate sobre a convivência entre operações militares e voos comerciais no espaço aéreo da região de Washington.
Relembre
O acidente ocorreu na noite de 29 de janeiro, quando um avião da American Eagle se aproximava para pouso no Aeroporto Nacional Ronald Reagan e colidiu em pleno ar com um helicóptero militar Black Hawk. As duas aeronaves caíram no rio Potomac, e todos os ocupantes morreram, no episódio considerado o mais grave desastre aéreo da capital americana desde 1982.
FONTE : JORNAL OPÇÃO
