Levantamento do Jornal Opção identificou candidatos que declararam orientação sexual ou identidade de gênero no registro eleitoral; outros dois tiveram candidatura indeferida e uma pessoa renunciou

Candidatos LGBTQIA+ disputam vagas para deputado estadual, deputado federal e Senado nas eleições de 2026 em Goiás | Foto: Montagem
Pelo menos 12 candidatos declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que fazem parte da comunidade LGBTQIA+ e disputam nas eleições de 2026 em Goiás. O levantamento foi realizado pelo Jornal Opção, com base nas informações divulgadas pelo TSE no DivulgaCand.
Os nomes aparecem em diferentes disputas. A maior parte concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), mas também há candidatos que tentam chegar à Câmara dos Deputados e uma candidatura na chapa para o Senado, na condição de primeiro suplente.
Entre os 12 nomes, estão candidatos com diferentes trajetórias na política e na vida pública, além de pessoas que disputam a eleição pela primeira vez. As declarações registradas no sistema eleitoral também mostram diferentes orientações sexuais dentro do grupo.
Confira os candidatos:
| Candidato(a) | Cargo | Partido | Número |
|---|---|---|---|
| Bombeira Luna | Deputada estadual | MDB | 15391 |
| Cris Souza | Deputada estadual | PSB | 40004 |
| Fausto André | Deputado federal | UP | 8000 |
| Fabrício Rosa | Deputado estadual | PT | 13000 |
| Ju Damando | Deputada estadual | PT | 13030 |
| Mateus Moura | Deputado estadual | PSOL | 50100 |
| Samuel Mendes | Deputado estadual | PSB | 40444 |
| Victor Dutra | 1º suplente de senador | PV | 400 |
| Bárbara Bombom | Deputada federal | PSOL | 5024 |
| Maju Ferrari | Deputada federal | PT | 1367 |
| Matheus Ribeiro | Deputado estadual | PSDB | 45145 |
| Mãe Isabel de Oxum | Deputada federal | PT | 1307 |
A disputa por uma cadeira na Alego concentra sete dos 12 nomes identificados pelo levantamento. Outros quatro concorrem a deputado federal. Victor Dutra aparece em uma situação diferente: ele integra uma chapa para o Senado como primeiro suplente de Isaura Lemos (PSB).
Entre os partidos, o PT reúne o maior número de candidaturas LGBTQIA+ identificadas pelo levantamento, com quatro nomes. PSB e PSOL aparecem na sequência, com duas candidaturas cada. MDB, UP, PV e PSDB têm um candidato cada.

Orientações declaradas
Os registros eleitorais também permitem identificar a orientação sexual declarada pelos candidatos. Entre os nomes levantados pelo Jornal Opção, aparecem declarações de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, pansexuais e assexuais.
Bombeira Luna e Cris Souza declararam-se lésbicas. Fausto André aparece como assexual. Ju Damando declarou-se bissexual, enquanto Mateus Moura aparece como pansexual. Samuel Mendes e Victor Dutra declararam-se gays. Mãe Isabel de Oxum também aparece como lésbica no registro eleitoral.
A declaração de orientação sexual passou a fazer parte dos dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral para as candidaturas. A medida permite identificar a presença de pessoas LGBTQIA+ nas eleições a partir de uma informação declarada pelos próprios candidatos, sem que seja necessário fazer inferências sobre a vida pessoal de quem disputa o pleito.
Entre os candidatos está Fabrício Rosa, vereador de Goiânia pelo PT e uma das figuras mais conhecidas da política LGBTQIA+ em Goiás. Ele concorre agora a uma vaga de deputado estadual. Outro nome conhecido do eleitorado goiano é o jornalista Matheus Ribeiro, que disputa uma cadeira na Alego pelo PSDB. O jornalista já concorreu à Prefeitura de Goiânia, onde recebeu 46.875 votos, e ganhou projeção nacional ao apresentar o Jornal Nacional.
A lista também reúne nomes com atuação em diferentes áreas e movimentos sociais, mostrando que a participação LGBTQIA+ na disputa eleitoral não está concentrada em um único nicho político ou segmento.
Dois indeferimentos e uma renúncia
Além das 12 candidaturas deferidas, o Jornal Opção também identificou outros três nomes que chegaram a aparecer no processo eleitoral, mas que não entram na conta das candidaturas aptas considerada na reportagem.
Alexandre Cruz e Diego Jejees tiveram as candidaturas indeferidas. Já a Terapeuta Ariel Cruz optou pela renúncia à disputa.
Por isso, os três nomes são citados separadamente. Eles fazem parte do levantamento dos registros relacionados a candidatos LGBTQIA+ em Goiás, mas não são contabilizados entre as 12 candidaturas deferidas.
A diferença é importante porque o número de pessoas que aparecem inicialmente no sistema eleitoral não representa necessariamente a quantidade de candidatos que estará apta a disputar as eleições. Os registros podem mudar de situação durante a tramitação na Justiça Eleitoral, seja por deferimento ou indeferimento, seja por renúncia ou substituição.
O levantamento considera, portanto, 12 candidaturas LGBTQIA+ deferidas em Goiás. O cenário ainda pode ser atualizado conforme novas decisões da Justiça Eleitoral sejam incorporadas ao sistema de divulgação de candidaturas do TSE.
Representação ainda é pequena nos espaços de poder
A presença de candidatos LGBTQIA+ nas eleições de 2026 ocorre em um cenário de ampliação gradual da representação política desse grupo, mas ainda marcado pela sub-representação nos espaços de poder. As eleições municipais de 2024, por exemplo, registraram um recorde de 225 pessoas LGBTQIA+ eleitas no país, sendo 222 vereadores e três prefeitos, segundo levantamento da organização VoteLGBT. Em 2020, haviam sido 97 eleitos para esses dois cargos.
No Congresso Nacional, porém, a presença continua proporcionalmente pequena. Nas eleições de 2022, 20 pessoas LGBTQIA+ foram eleitas para cargos no Legislativo e no Executivo, segundo levantamento da Aliança Nacional LGBTI+ citado pela Folha. Entre elas estavam cinco deputados federais. O grupo representava cerca de 1% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.
A atual legislatura também registra avanços históricos. Em 2023, Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) se tornaram as primeiras mulheres trans a ocupar cadeiras na Câmara dos Deputados. Erika Hilton também passou a ocupar, em 2026, a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, ampliando a presença LGBTQIA+ em espaços de comando dentro do Congresso.
A própria coleta de dados sobre orientação sexual representa uma mudança recente. O TSE passou a incluir essa informação nos registros eleitorais a partir das eleições municipais de 2024 e, em 2026, pela primeira vez, o dado passou a aparecer nas estatísticas das eleições gerais. Até 18 de agosto, 1,93% dos 20.575 candidatos registrados haviam declarado orientações LGBTQIAPN+, embora o preenchimento do campo seja opcional. Entre aqueles que efetivamente informaram a orientação sexual, o percentual era de 3,58%.
Mais do que ampliar a quantidade de candidatos, a presença desses grupos nos espaços de decisão tem um significado relacionado à própria diversidade da representação política. Pessoas LGBTQIA+ estiveram historicamente afastadas de cargos eletivos e de estruturas de poder, enquanto temas diretamente relacionados a essa população — como combate à discriminação, segurança, saúde, educação, trabalho e direitos civis — continuam sendo objeto de disputas políticas.
A representação, por si só, não significa que todos os candidatos LGBTQIA+ tenham as mesmas posições ou defendam uma agenda política única. A comunidade é diversa e está distribuída por diferentes partidos, ideologias e projetos. A presença de representantes com essas trajetórias, entretanto, amplia as experiências sociais que chegam aos espaços onde são formuladas leis e políticas públicas.
FONTE : JORNAL OPÇÃO






