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Harvard vai pagar R$ 273 milhões a famílias das vítimas após ex-funcionário vender cadáveres no mercado ilegal

Ex-gerente do necrotério foi condenado a oito anos de prisão por roubo de partes do corpo, incluindo cérebros e pele humana

Fundo de indenização beneficiará 47 famílias após escândalo de comercialização ilegal de cadáveres | Foto: Reprodução

A Harvard Medical School pagará US$ 53 milhões (cerca de R$ 273 milhões) para encerrar as ações coletivas movidas por familiares de doadores de corpos, cujos restos mortais foram roubados e comercializados no mercado ilegal pelo ex-gerente do necrotério da instituição, Cedric Lodge. O anúncio foi feito no início deste mês de agosto em uma carta redigida pelos decanos George Q. Daley e Bernard S. Chang, na qual classificaram as atitudes do ex-funcionário como “desprezíveis, abomináveis e uma flagrante traição aos valores da comunidade médica”.

Em um dos casos, o ex-funcionário admitiu ter fornecido pele humana a um comprador que pretendia transformá-la em couro para encadernar um livro. Agora, a universidade destinará os recursos a dois fundos de indenização coletiva, beneficiando as 47 famílias que moveram as ações judiciais. 

De acordo com a agência Associated Press (AP), a instituição tentou identificar todos os familiares afetados, cruzando informações com registros que indicavam quando os restos mortais eram enviados para cremação durante a gestão de Lodge no campus, entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de março de 2023. Contudo, não foi possível determinar com precisão quais corpos foram violados.

Vale ressaltar que, no ano passado, Lodge foi condenado a oito anos de prisão por integrar um esquema criminoso no qual enviava cérebros, pele, mãos e rostos de cadáveres para compradores na Pensilvânia e em outros estados americanos. Além disso, sua esposa, Denise Lodge, recebeu pena de pouco mais de um ano por auxiliá-lo, e outras seis pessoas que adquiriram os restos mortais também se declararam culpadas.

Após a utilização dos corpos em pesquisas ou aulas, Harvard geralmente devolve os restos às famílias ou providência a cremação, mas a universidade enfatiza que Lodge agiu sem seu conhecimento ou autorização.

Além da compensação financeira, a Faculdade de Medicina de Harvard concordou em fornecer uma declaração formal condenando os crimes, bem como um resumo das medidas adotadas para aprimorar seu Programa de Doação de Cadáveres. Paralelamente, a instituição planeja criar, a partir do próximo ano, uma bolsa anual para estudantes de medicina em homenagem aos doadores, reforçando seu compromisso com a ética e a transparência.

FONTE : JORNAL OPÇÃO

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