Hospital de Câncer Araújo Jorge implanta testes moleculares capazes de identificar até 21 subtipos do HPV

Aquisição de equipamentos de ponta, como plataforma de sequenciamento de DNA de nova geração, amplia autonomia da instituição para diagnóstico precoce | Foto: Matheus Vitorino
O Araújo Jorge – Hospital de Câncer, em Goiânia, começou a realizar testes moleculares capazes de identificar o HPV oncogênico, tecnologia que deve beneficiar 1.200 mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana da capital goiana. A iniciativa integra o projeto OncoHPV – Tempo é Vida, aprovado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON), e tem como foco ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo vírus, principal responsável por cânceres como o do colo do útero.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano ao longo do triênio 2026-2028. Atualmente, a doença ocupa a sexta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país e é o terceiro mais frequente entre as mulheres, dado que reforça a necessidade de ampliar o acesso a exames de detecção precoce dentro da rede pública.
As pacientes contempladas pelo projeto têm entre 15 e 64 anos e chegam ao programa por meio de encaminhamento direto da Atenção Básica, seja em casos de suspeita de infecção por HPV, seja para complementar exames citopatológicos considerados inconclusivos. De acordo com o analista de Biologia Molecular da instituição, Dr. João Antonio Xavier Manso, a solicitação do exame segue um fluxo específico: é o profissional de saúde responsável pelo atendimento na Atenção Básica quem pede o teste, respeitando os critérios definidos pelo projeto e pela rede de saúde.
Uma vez coletadas, as amostras passam por análise no Laboratório de Biologia Tumoral e Oncogenética da instituição, referência em pesquisa e diagnóstico oncológico desde sua fundação, em janeiro de 2010. Ali, os testes utilizam a técnica de PCR em Tempo Real para identificar até 21 subtipos do vírus HPV. Quando surge alguma inconsistência entre o quadro clínico da paciente e o resultado obtido, no entanto, o material pode seguir para uma etapa adicional: o Sequenciamento de Nova Geração (NGS). “Essa tecnologia permite uma análise mais detalhada e de maior resolução, contribuindo para esclarecer casos que não sejam totalmente resolvidos pelo teste convencional”, explica Manso.
Para viabilizar essa nova frente de diagnóstico, o hospital investiu na aquisição de equipamentos de ponta, entre eles um extrator e purificador de material genético, termociclador de PCR em tempo real, freezer para congelamento rápido, freezer laboratorial, geladeira e uma plataforma Illumina de sequenciamento de DNA de nova geração. Juntos, esses aparelhos ajudam na incorporação da medicina de precisão à rotina hospitalar, um avanço especialmente relevante, segundo a equipe técnica, diante da alta variabilidade genética do papilomavírus humano, que reúne mais de 200 tipos virais diferentes.
Além da estrutura tecnológica, o projeto também prevê o desenvolvimento de protocolos operacionais padronizados para todas as etapas do processo, da coleta das amostras até a entrega dos resultados, bem como ações de educação em saúde voltadas à comunidade, com o objetivo de reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres associados ao HPV.
Na avaliação do coordenador do projeto e de Diagnóstico e Imagem do Araújo Jorge, Dr. Cesar Vilanova, o investimento em tecnologia é determinante para melhorar os resultados do tratamento oferecido às pacientes. “Para otimizar os resultados do tratamento e melhorar a qualidade de vida das pacientes, é necessário ampliar o investimento e a utilização de recursos tecnológicos que possibilitem oferecer um diagnóstico precoce, especializado, rápido e contínuo”, destaca o coordenador.
Já o Dr. João Antonio Xavier Manso reforça que a nova capacidade instalada vai muito além da ampliação da oferta de exames. “Também possibilitará maior autonomia na realização desses testes e contribuirá para a melhoria da assistência aos pacientes do SUS”, afirma.
Segundo ele, a principal vantagem está em fortalecer a estrutura própria do hospital para apoiar o rastreamento e o acompanhamento das pacientes. “Dessa forma, o hospital passa a contar com uma estrutura própria para apoiar o rastreamento, a detecção precoce e o acompanhamento das pacientes, fortalecendo a assistência prestada pelo SUS. Além de permitir uma identificação mais precisa da infecção, a nova estrutura contribuirá para o diagnóstico precoce, possibilitando um acompanhamento mais adequado das pacientes e, quando necessário, uma intervenção mais rápida na prevenção e na redução do risco de evolução para o câncer do colo do útero”, aponta.
Vale lembrar que a atuação do laboratório não se restringe à oncologia: durante a pandemia de COVID-19, a estrutura também serviu como importante centro de apoio a testes moleculares para diagnóstico da infecção pelo SARS-CoV-2, auxiliando diversas unidades hospitalares de Goiás.
FONTE : JORNAL OPÇÃO






