Produtividade da soja em Goiás registra leve queda após atraso no início das chuvas

Levantamento da Expedição Safra Goiás aponta recuo de 70 para 66,5 sacas por hectare, influenciado pelo atraso e pela irregularidade das chuvas

Expedição Safra Goiás | Foto: Faeg

A terceira edição da Expedição Safra Goiás acendeu um alerta para a produção de soja ao identificar uma leve queda na produtividade. Segundo o levantamento, a média caiu de cerca de 70 para 66,5 sacas por hectare. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, o resultado é consequência do atraso no início das chuvas e da irregularidade das precipitações durante o plantio.

Embora o número ainda coloque Goiás entre os estados mais produtivos do país, ele representa uma redução em relação à safra passada. Schreiner destaca que a queda é pequena, mas sinaliza riscos que exigem atenção do setor. “O principal fator que impactou a produtividade foi o atraso das chuvas”, disse o presidente da Faeg.

“O plantio começou cerca de duas semanas depois do período histórico e, além disso, a precipitação foi muito irregular. Chovia em um ponto e não chovia em outro, o que prejudicou especialmente as lavouras semeadas no início da janela”, afirmou Schreiner, em coletiva de imprensa. Essa situação citada criou o desuniformidade nas lavouras.

O atraso na soja também gera um efeito direto sobre a segunda safra, a safrinha, segundo líder da entidade. Com a colheita ocorrendo mais tarde, a janela ideal para o plantio do milho foi reduzida em aproximadamente 14 dias, o que eleva o risco climático no final do ciclo.

A expectativa é de queda moderada na produtividade da safrinha, sobretudo em função da menor incidência de chuvas no período de enchimento de grãos. Diante desse cenário, produtores tendem a reduzir o nível tecnológico, priorizando estratégias de menor risco financeiro.

Mesmo diante do alerta, os dados históricos mostram que a soja em Goiás avançou de forma consistente na última década. Entre as safras 2014/15 e 2025/26, a produtividade média saltou de 43,2 para 68,5 sacas por hectare, enquanto a produção cresceu de 8,6 milhões para 20,5 milhões de toneladas.

O Estado alcançou recorde histórico na safra 2024/25, com 69,7 sacas por hectare e produção estimada em 20,7 milhões de toneladas. Para 2025/26, a projeção indica leve acomodação, mantendo, ainda assim, um patamar elevado.

Segundo a Faeg, esse desempenho é resultado direto de pesquisa, inovação, melhoramento genético e manejo eficiente, com papel central da Embrapa. No entanto, a entidade alerta que a manutenção desse nível produtivo depende de condições adequadas de crédito, seguro rural e rentabilidade.

Vulnerabilidade

Além do clima, a Expedição Safra destacou a pressão crescente dos custos de produção e dos juros elevados. “Com os custos de produção elevados e juros nesse patamar, o produtor precisa reduzir risco. Com a Selic em 15% e juros de mercado chegando a 20%, muitos seguram o investimento, principalmente na segunda safra”, disse Schreiner.

Segundo ele, a tendência é substituir insumos de maior potencial produtivo por alternativas mais baratas. Por exemplo, sementes de milho de alto desempenho, que custam entre R$ 1.000 e R$ 1.100 por saco, devem dar lugar a materiais mais simples, na faixa de R$ 400, reduzindo custos, mas também o teto de produtividade.

Seguro rural

O levantamento também reforçou o déficit estrutural do seguro rural no Brasil. Atualmente, o custo para segurar a safrinha pode chegar a 10 sacas de milho por hectare, sem subvenção do Governo Federal, o que inviabiliza a contratação para grande parte dos produtores.

“O produtor reduz o risco porque o Brasil ainda não tem um seguro rural eficiente”, disse o presidente da Faeg. “Hoje, para segurar a safrinha, o custo pode chegar a 10 sacas de milho por hectare, sem qualquer subvenção do Governo Federal. Foram anunciados mais de R$ 500 bilhões no Plano Safra, mas menos de R$ 100 bilhões tiveram subvenção do Tesouro. O restante vem do mercado, com juros altos, o que aumenta muito o risco financeiro do produtor”, finalizou.

FONTE : JORNAL OPÇÃO

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