Home / All / Produtora do filme ‘Dark Horse’ sobre Bolsonaro contratou empresa de integrante do PCC preso por feminicídio

Produtora do filme ‘Dark Horse’ sobre Bolsonaro contratou empresa de integrante do PCC preso por feminicídio

Alex Leandro Bispo dos Santos, o “Baianão”, é réu por feminicídio enquanto ligado a projeto com produtora de “Dark Horse”

Produtora de cinebiografia de Bolsonaro se vincula a homem vinculado ao PCC | Foto: Reprodução

A produtora responsável pela cinebiografia “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), firmou vínculo com a empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos, um homem apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e atualmente preso de forma preventiva sob a acusação de feminicídio. 

A conexão ocorreu por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Gama, que também controla a Go Up Entertainment, produtora do filme. O ICB contratou a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., empresa da qual Santos era sócio único até dezembro de 2025, para instalar pontos de wi-fi em comunidades da capital paulista. As informações foram originalmente reveladas pela “Folha de S.Paulo”.

De acordo com os órgãos de inteligência da polícia, Santos carrega uma extensa ficha criminal e é reconhecido como membro da facção. Enquanto isso, a organização de Karina Gama tornou-se alvo de um inquérito da Polícia Civil que apura supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado em junho de 2024 com a Secretaria de Inovação e Tecnologia da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

O acordo previa a instalação de 5 mil pontos de internet em vias públicas. Sem qualquer experiência prévia nesse tipo de serviço, o ICB terceirizou a execução para três empresas, entre elas a Favela Conectada. Conforme a prestação de contas entregue à prefeitura, a companhia de Santos instalou mais de 900 pontos nas favelas e recebeu mais de R$ 3,8 milhões até o fim de 2025, oriundos de um contrato inicial de R$ 12 milhões entre a ONG e a empresa.

Paralelamente à investigação sobre o contrato milionário, o histórico criminal de Alex Leandro Bispo dos Santos mostra uma trajetória de vínculos com o crime organizado. Conhecido como Baianão, ele acumula prisões desde os 18 anos. Em 2003, foi preso pela suspeita de participação no sequestro-relâmpago de um sobrinho do então senador Eduardo Suplicy (PT). 

Além disso, entre novembro de 2012 e dezembro de 2017, cumpriu pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade que concentra lideranças do PCC, onde também esteve Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe máximo da facção. Em seguida, passou por Mirandópolis 1, outro presídio que abriga integrantes da cúpula, e ganhou a liberdade em novembro de 2018. O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, confirmou que Santos já cumpriu pena nesses dois locais estratégicos para a organização criminosa.

Agora, o empresário voltou à prisão pelo crime de feminicídio. Em novembro de 2025, segundo a denúncia, ele agrediu e arrastou a namorada, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, pelo pescoço antes que ela caísse do 10º andar de um prédio na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo. O Tribunal de Justiça já o tornou réu por homicídio, afastando a hipótese de suicídio. 

Em depoimento, o próprio acusado admitiu que “perdeu a cabeça” e deu “uns tapas” na esposa, mas sustentou que ela se jogou da sacada. No entanto, uma testemunha apresentou à investigação a gravação de uma discussão do casal. No áudio, Alex se vangloria da ligação com a facção ao afirmar: “Tenho escorpião do PCC e num devo satisfação”. 

A ostentação se materializa também no corpo: um relatório policial destaca que “Alex também possui duas tatuagens, de uma carpa e de um dragão, que no contexto das facções criminosas, possui um significado. A combinação de ambos os símbolos reforça a ideia de um membro que superou grandes desafios e alcançou um status elevado ou superior dentro da facção”.

O Jornal Opção não conseguiu localizar a defesa de Alex Leandro Bispo dos Santos e Karina Gama. O espaço, no entanto, segue aberto para eventuais manifestações.

FONTE : JORNAL OPÇÃO

Sign Up For Daily Newsletter

Stay updated with our weekly newsletter. Subscribe now to never miss an update!

[mc4wp_form]