(Foto: divulgação)
Criada em 2013 como uma brincadeira, a moeda ganhou espaço no mercado global e mantém uma comunidade que une humor, cultura digital e investimentos
A Redação
Goiânia – O dogecoin nasceu em dezembro de 2013 como uma paródia do entusiasmo em torno das criptomoedas. Dois engenheiros de software juntaram um meme famoso a um código aberto e lançaram a moeda sem grandes pretensões, quase como uma brincadeira entre colegas de profissão.
Mais de dez anos depois, o ativo é negociado diretamente contra a moeda brasileira. A cotação do dogecoin hoje em real aparece na página de conversão da Binance, que traz uma calculadora de DOGE para reais e gráficos com períodos que vão de um dia a um ano.
A distância entre a piada inicial e esse cenário se explica por uma sequência de marcos. Alguns são técnicos, outros são culturais, e todos ajudam a entender por que a moeda continua relevante.
Como o dogecoin foi criado?
O dogecoin foi lançado em 6 de dezembro de 2013 por Billy Markus, programador da IBM em Portland, e Jackson Palmer, funcionário da Adobe. Palmer registrou o domínio do projeto, e Markus escreveu o código a partir de projetos de código aberto que já existiam.
O rosto da moeda veio da internet. O meme “doge” usava a foto de Kabosu, uma cadela da raça shiba inu adotada pela professora japonesa Atsuko Sato, acompanhada de frases curtas e coloridas. A imagem já era popular quando os dois engenheiros decidiram transformá-la em símbolo de uma criptomoeda.
A intenção era criar algo mais leve e acessível do que o bitcoin, que na época tinha uma imagem técnica e distante do público comum.
Por que a moeda cresceu tão rápido no início?
O dogecoin cresceu rápido porque combinou humor, preço baixo e facilidade de uso. Segundo o site oficial do projeto, a página recebeu mais de um milhão de visitantes únicos no primeiro mês.
O uso que mais ajudou nessa fase foi a gorjeta digital. Em fóruns como o Reddit, usuários enviavam pequenas quantias de DOGE uns aos outros como forma de agradecer um bom comentário ou uma ajuda. O valor era simbólico, mas o hábito espalhou a moeda entre milhares de pessoas em pouco tempo.
Em 2014, os dois fundadores se afastaram do projeto, e uma equipe de desenvolvedores voluntários assumiu a manutenção do código. Essa passagem mostrou que a moeda já não dependia de quem a criou.
Quando o dogecoin chegou ao grande mercado?
O dogecoin chegou ao grande mercado de forma gradual, entre 2019 e 2022. Em julho de 2019, a Binance abriu a negociação de DOGE, depois de meses de pedidos da comunidade.
Em 2021, a moeda entrou no grupo das dez maiores criptomoedas por capitalização de mercado. No mesmo ano, a Dogecoin Foundation, entidade sem fins lucrativos ligada ao projeto, foi reativada para apoiar o desenvolvimento e proteger a marca.
Em janeiro de 2022, a Tesla passou a aceitar DOGE na compra de alguns produtos da marca, um sinal de que a moeda tinha saído dos fóruns e chegado ao comércio.
Ano Marco
2013 Lançamento da moeda, em 6 de dezembro
2014 Desenvolvedores voluntários assumem o projeto
2019 Chegada às grandes corretoras globais
2021 Entrada entre as dez maiores criptomoedas
2023 Estátua de Kabosu inaugurada no Japão
O que a estátua de Kabosu representa?
A estátua mostra que o meme virou patrimônio cultural. Em novembro de 2023, a cidade japonesa de Sakura recebeu uma estátua de bronze de Kabosu, instalada numa praça ao lado de um moinho de vento.
O monumento foi pago pelos próprios fãs, numa campanha de financiamento coletivo que atingiu a meta em menos de 12 horas. A mesma lógica de muitas contribuições pequenas, que marcou o início da moeda, apareceu de novo dez anos depois.
Poucos ativos financeiros têm um símbolo capaz de mobilizar pessoas dessa forma. No caso do dogecoin, a identidade visual e o afeto da comunidade fazem parte do que sustenta o interesse pela moeda.
O que essa história diz sobre a cultura digital?
A trajetória do dogecoin mostra que criações nascidas na internet podem ganhar espaço em ambientes antes reservados a formatos tradicionais. Um meme tornou-se moeda, e a moeda tornou-se um ativo acompanhado por investidores do mundo inteiro.
O mesmo movimento aparece em outras áreas. Em Goiânia, professores e pesquisadores da UFG organizaram o Festival Sintético, que exibiu no Cine Cultura filmes feitos com inteligência artificial, levando para uma sala de cinema produções que surgiram em ambiente totalmente digital.
Nos dois casos, o que começou como experimento passou a ser discutido com seriedade. A tecnologia muda, mas o caminho é parecido: primeiro vem a curiosidade, depois o uso e, por fim, o reconhecimento.
O que mudou e o que permanece?
Mudou a escala. O dogecoin tem hoje liquidez global, presença nas principais corretoras e negociação direta em reais, algo impensável para os criadores em 2013.
Permanece o espírito original. A moeda continua associada a transferências rápidas, taxas baixas e uma comunidade que trata o projeto com humor. Essa combinação de mercado e cultura da internet é o que diferencia o dogecoin de outras criptomoedas e ajuda a explicar a sua longevidade.
Fonte: A Redação – https://aredacao.com.br/do-meme-ao-mercado-a-trajetoria-do-dogecoin-em-mais-de-dez-anos/






