O Jornal Opção DF mapeou os locais de um sério problema que vem afetando os moradores do Plano Piloto: a violência promovida pelos moradores de rua do DF

Apesar da sanção, pelo GDF, da lei que estabelece os protocolos de acolhimento e internação involuntária para situações de risco extremo à vida, o problema continua presente e visível no cotidiano da população do Plano | Foto: Agência Brasil
Às vésperas do pleito eleitoral e ainda sem ampla clareza sobre as propostas para a segurança pública nos planos de governo dos candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF), vale destacar o perfil e o peso do eleitorado do Plano Piloto.
De acordo com dados do TSE, a área formada por Asa Sul, Asa Norte, Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal reúne 11,77% dos eleitores do DF e registra os maiores índices de escolaridade superior e pós-graduação do país. Este público — composto por servidores públicos, profissionais liberais e acadêmicos — onde destaca-se o voto crítico e atento a temas como urbanismo, transparência e segurança. Nada disso, porém, tem livrado os moradores dessa região de uma crise social e urbana que se intensificou recentemente: o avanço da população em situação de rua no Plano Piloto e arredores, majoritariamente masculina.
Apesar da sanção, pelo GDF, da lei que estabelece os protocolos de acolhimento e internação involuntária para situações de risco extremo à vida, o problema continua presente e visível no cotidiano da população do Plano.
Em relatos diversos, moradores e síndicos das quadras 108, 109, 314 e 711 Norte denunciaram a escalada da violência nos comércios e áreas residenciais. Entre os episódios frequentes estão agressões verbais contra pedestres noturnos, brigas em vias públicas, furtos de veículos e roubos praticados com armas brancas.
Ouvimos a gerente de um estabelecimento nas quadras iniciais da Asa Norte, que atestou a absoluta falta de segurança na região, mas não quis se identificar por medo de represálias. Ela teve uma cliente agredida por um morador de rua, em pleno horário do almoço, dentro de seu restaurante. “Olha, a insegurança está gigantesca aqui na Asa Norte. A gente, além de instalar câmeras, resolveu colocar um segurança morando na parte de cima do estabelecimento, porque não há policiamento por aqui e, além deles invadirem durante o dia exigindo dinheiro dos clientes e funcionários, também ocorrem assaltos no período da noite”, enfatizou.
Episódios de violência no mês de Agosto
A sequência de episódios violentos somente no mês de agosto, inclui como caso mais grave o do zelador de um prédio comercial na quadra 314 da Asa Norte, que foi violentamente agredido com pauladas, precisou passar por uma neurocirurgia e segue internado no Hospital de Base de Brasília, com traumatismo craniano.
Moradores e comerciantes da quadra relataram que o zelador já vinha sofrendo ameaças de pessoas em situação de rua da região.
Em outro episódio, uma jornalista foi assaltada e agredida no Setor de Rádio e Televisão Norte (SRTVN) por um homem em situação de rua, sofrendo fraturas nos dedos das mãos. Já no dia 11 de agosto, uma idosa de 95 anos foi mantida como refém por um morador de rua em um prédio residencial da Asa Sul. No mesmo dia, uma loja de conveniência na Asa Norte foi alvo de furto pela segunda vez no mês, onde outro homem em situação de rua levou dinheiro e bebidas.
No dia 12 de agosto, uma criança foi agredida na Asa Sul pelo morador de rua Celso Delfino Pinheiro, de 41 anos, que foi detido na mesma tarde. O agressor chutou a cabeça da criança de 5 anos que estava com a mãe em uma área comercial. A agressão foi registrada por câmeras de segurança e ocorreu sem qualquer interação anterior entre o homem e a família. No entanto, ele foi liberado pela justiça após assinar o tal Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Sem medidas imediatas
Após a prisão do agressor do zelador Vanderlei Souza Lima, da 314 Norte, a governadora, em suas redes sociais, parabenizou a polícia do DF e exaltou os “rigores da Lei”. O que o GDF tem feito de fato para solucionar o problema?
Plano Piloto tem 25.5% de taxa de ocupação da população de rua
Segundo os dados do 2º Censo Distrital da População em Situação de Rua, realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), foram contabilizadas 3.521 pessoas em situação de rua em todo o Distrito Federal. Sendo que, dessas pessoas, 25,5% concentram-se justamente no Plano Piloto, o que corresponde a aproximadamente 898 a 900 moradores de rua nesta região.
O Plano Piloto lidera como a região do DF com a maior taxa de ocupação por essa população, seguido por outras áreas de regiões administrativas, como Ceilândia, Taguatinga e São Sebastião.
Os episódios demonstram o tamanho do abandono da segurança pública no DF e a falta de assistência social no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Onde “vivem” os moradores de rua do Plano Piloto
Nos arreadores e na entrada do campus da Universidade de Brasília (UnB), existe a presença massiva de acampamentos insalubres com famílias de vulneráveis sociais.
Em uma abordagem localizada, pesquisadores da empresa júnior ESTAT Consultoria, de estatística da UnB, realizaram o Censo de Moradores de Rua do Entorno da UnB. O levantamento, por exemplo, constatou que mais de 55% dos moradores de rua que viviam no perímetro imediato da universidade tinham menos de 25 anos de idade. O mapeamento concentrou-se no final da via L3 Norte e nos acessos principais das vias L2 e L4 Norte.
Já o 2º Censo Distrital da População em Situação de Rua, realizado pelo IPEDF (Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal), juntamente com a Secretaria de Estado de Assistência Social do DF, mapeou os pontos recorrentes mapeados:
1. Asa Sul
Eixão Sul (Eixo Rodoviário): Sob as passagens subterrâneas de pedestres que ligam as quadras 100 às 200 (como na altura da 102, 107, 109 e 211 Sul).
Áreas Verdes Interiores: Terrenos arborizados fundos de igrejas e praças (como a área verde da 303 Sul, nos fundos da Igreja São Camilo, e na praça da 703/704 Sul).
Vias W4 e W5 Sul: Ao longo das quadras 700 e 900.
2. Asa Norte
Entrequadras e Quadras Residenciais: Acampamentos de lona e madeira montados em áreas arborizadas entre quadras (como entre as 108/109 Norte e nas quadras 314 e 711 Norte).
Ao longo das vias W3, L2 e L4: Barracas instaladas nos canteiros centrais e áreas de vegetação ao longo das vias (como na altura da 402 Norte na L2, 416 Norte na L4 e na entrada do Campus da UnB).
Comércios Locais (CLNs): Sob as marquises e corredores de prédios comerciais nas entrequadras e comerciais locais.
Setor hoteleiro e de emissoras (SRTVN/SHN): Águas de transição e praças com marquises cobertas.
Região Central e Setores Comerciais
Setor Comercial Sul (SCS): Uma das áreas de maior concentração, especialmente sob marquises de edifícios, praças e acessos às galerias.
Eixo Monumental e Torre de TV: No entorno e subsolo da Torre de TV, além do canteiro central do Eixo Monumental.
Rodoviária do Plano Piloto: Nas galerias subterrâneas, passagens de pedestres que conectam as Asas Sul e Norte e nos acessos ao metrô.
FONTE : JORNAL OPÇÃO






