Com pré-candidatura a presidente marcada para lançamento em março, Caiado busca se posicionar como uma alternativa de direita mais moderada em um contexto de polarização política
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), intensificou sua presença no cenário político nacional nos últimos dias, ao abordar questões relacionadas à governabilidade, segurança pública e os desdobramentos das recentes investigações sobre uma suposta trama golpista envolvendo a extrema-direita. Pré-candidato declarado à presidência em 2026, Caiado vai se lançar em março, em evento em Salvador, na Bahia, ciceroneado do pelo amigo ACM Neto.
Sem perder tempo, o governador foca em se posicionar como uma alternativa de direita mais moderada em um contexto de polarização política. Foi o que ocorreu, por exemplo, durante a abertura da 55ª Convenção da Conib (Confederação Israelita do Brasil), no Clube A Hebraica (SP) em São Paulo.
Caiado minimizou o impacto do indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Polícia Federal. “E daí? A vida continua. Agora tem dois anos que é só essa discussão no Brasil”, afirmou, enfatizando que prefere focar na administração de Goiás do que em questões nacionais que considera “pequenas”.
Registrada pela Folha de São Paulo no final de semana, a declaração foi interpretada como mais um sinal de distanciamento estratégico de Bolsonaro. Também pode ser vista como uma forma de demonstrar o enfraquecimento e a perda de importância do ex-presidente. No evento da Conib, inclusive, não foram registradas presenças de bolsonaristas de destaque, como dos filhos do ex-presidente ou ex-ministros que tinham ligação com Israel.
Entrevista à IstoÉ
Em entrevista recente à Revista IstoÉ, o governador também não poupou críticas a Bolsonaro. Apesar de ter sido aliado do ex-presidente, Caiado rechaçou a atuação dele nas recentes eleições municipais em Goiânia, classificando-a novamente como “deselegante e desrespeitosa”. Bolsonaro apoiou Fred Rodrigues (PL) candidato rival à base governista, movimento que, segundo Caiado, demonstrou falta de habilidade política. “A função de um líder é aglutinar, não dispersar suas bases nem confrontar aliados”, reiterou.
As críticas ao governo federal também foram marcantes nos últimos dias. Caiado responsabilizou a gestão de Lula pela falta de segurança e inteligência que permitiu episódios como as explosões em Brasília, culminando na morte de um simpatizante bolsonarista. Ele classificou o atual governo como “apático e preguiçoso”, acusando-o de negligência em questões que considera centrais para o país.
Por outro lado, Caiado também destacou que, se comprovada a veracidade das revelações sobre a tentativa de golpe, as punições aos responsáveis devem ser severas. “É inadmissível arquitetar plano para matar em meio a golpe”, disse, sinalizando que seu posicionamento busca se diferenciar tanto dos extremos quanto das falhas percebidas na gestão atual.
Sua estratégia para 2026 inclui ampliar sua base nacional, destacando suas realizações em Goiás, especialmente na área de segurança pública. “Pretendo andar pelo país e apresentar minha trajetória política. Mostrar o que podemos fazer pelo Brasil”, declarou. Goiás, sob sua gestão, é frequentemente citado como exemplo de políticas públicas eficazes na área de segurança, reforçando seu discurso de que sua experiência local pode ser replicada em âmbito nacional.
Caiado tem buscado se consolidar como uma alternativa “equilibrada” dentro da direita, criticando tanto a polarização política quanto a ineficácia de lideranças anteriores. “O Brasil precisa de um candidato que una o país e o faça respeitado novamente”, disse, numa aparente tentativa de atrair tanto os descontentes com Bolsonaro quanto os críticos de Lula.
O cenário mostra o governador goiano se movendo estrategicamente para ocupar um espaço deixado vago pela inelegibilidade de Bolsonaro até 2030. Enquanto isso, ele aproveita para criticar o que chama de falta de foco e liderança do atual governo. “A segurança ameaça a economia, a democracia e o futuro do Brasil”, pontuou, reforçando sua mensagem de que o país precisa de um novo rumo.
Com as eleições de 2026 no horizonte, Caiado emerge como uma das principais figuras do campo conservador. Resta saber se sua aposta em um discurso moderado e crítico será suficiente para conquistar a confiança de um eleitorado fragmentado.






