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Dino volta atrás, retira voto e placar fica em 4 a 3; julgamento de Moraes e Mendonça é suspenso até dia 23

Flávio Dino | Foto: Antonio Augusto/STF

Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a reunião dos casos

O ministro Flávio Dino voltou atrás no voto que havia dado pela reunião dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça e, em seguida, pediu vista nesta terça-feira, 15, suspendendo o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Com a retirada da manifestação de Dino, o placar ficou em 4 a 3 sobre a possibilidade de analisar conjuntamente os dois procedimentos.

Antes de pedir vista, Dino havia acompanhado a corrente favorável à reunião dos casos. Ao retirar o voto, porém, deixou de integrar o placar, que passou a registrar quatro manifestações pela tramitação separada e três pela análise conjunta.

Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram contra a junção. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes se posicionaram a favor.

O pedido de vista interrompe a análise e adia uma definição sobre como o Supremo conduzirá os procedimentos relacionados aos dois ministros.

Dino muda posição antes de pedir vista

A mudança ocorreu após uma sessão marcada por fortes divergências entre os integrantes da Corte. Dino havia defendido anteriormente que os procedimentos fossem reunidos e analisados na mesma data, chegando a questionar a condução adotada pelo presidente do STF, Edson Fachin. 

Posteriormente, no entanto, Dino retirou o voto e pediu mais tempo para analisar o processo. Com isso, o julgamento foi suspenso antes de uma definição do plenário.

A discussão sobre a reunião dos casos surgiu a partir de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O decano propôs que os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça fossem analisados conjuntamente, com a discussão concentrada em 23 de setembro.

Fachin defendeu caminho diferente. O presidente da Corte sustentou que os processos deveriam permanecer separados, posição acompanhada por Mendonça, Fux e Cármen Lúcia.

Fux vê diferenças entre os casos

Ao antecipar o voto, Fux afirmou não identificar conexão suficiente entre os procedimentos para justificar a reunião. Para o ministro, as situações discutidas possuem objetos diferentes e não exigiriam tramitação conjunta para evitar decisões contraditórias.

Cármen Lúcia também se posicionou contra a junção, formando o quarto voto pela manutenção dos casos separados.

Do outro lado, Gilmar, Zanin e Moraes defenderam que as questões sejam apreciadas conjuntamente pelo plenário.

Sessão tem embate entre ministros

O julgamento também foi marcado por discussões entre integrantes do Supremo. Um dos momentos de maior tensão envolveu Gilmar Mendes e André Mendonça, que divergiram sobre a condução das apurações e trocaram críticas durante a sessão. 

Gilmar levantou questionamentos sobre a condução do procedimento e mencionou possível influência político-eleitoral. Mendonça contestou as declarações.

A discussão ocorreu em meio à análise de uma questão preliminar. Antes de decidir sobre uma eventual investigação contra Moraes, o Supremo precisa resolver controvérsias relacionadas ao procedimento e ao material produzido pela Polícia Federal.

Caso começou com relatório da PF

O julgamento está relacionado a um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados obtidos no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Entre os elementos encontrados estão mensagens enviadas a um número atribuído a Alexandre de Moraes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou a validade do relatório e a forma como as diligências foram determinadas. A controvérsia envolve, entre outros pontos, os limites da atuação de Mendonça quando estava à frente das apurações relacionadas ao Master.

Na segunda-feira, 14, dados extraídos do aparelho de Vorcaro foram disponibilizados a ministros do Supremo, ampliando a discussão sobre o acesso e a utilização das informações no julgamento.

Com a retirada do voto de Dino e o posterior pedido de vista, o STF encerrou a sessão sem decidir se os casos de Moraes e Mendonça deverão tramitar conjuntamente. A análise ficará suspensa até que o processo seja devolvido para julgamento.

FONTE: JORNAL OPÇÃO

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