Operação da Serra Verde em Minaçu (GO). (Foto: Serra Verde/Divulgação)
Aquisição foi anunciada nesta segunda-feira (20/4)
A Redação
Goiânia – A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20/4) a aquisição integral do Grupo Serra Verde, em uma operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. O grupo brasileiro é responsável pela mina de terras raras Pela Ema, localizada em Minaçu (GO).
A transação marca um movimento estratégico no setor global de minerais críticos ao integrar a extração realizada no Brasil com as etapas de processamento e fabricação de ímãs nos Estados Unidos. Segundo a empresa, a combinação das operações cria a primeira cadeia produtiva de terras raras totalmente verticalizada fora da Ásia, região que atualmente concentra a maior parte da oferta mundial.
O acordo prevê pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de 126,8 milhões de novas ações da companhia americana, listada na Nasdaq. A conclusão está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
Com a aquisição, o atual CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, assumirá a presidência da empresa combinada e integrará o conselho de administração. Já as operações no Brasil permanecerão sob comando de Ricardo Grossi.
A mina de Pela Ema é considerada um ativo estratégico por abrigar o único depósito de argilas iônicas em escala industrial fora da Ásia. Em operação desde 2024, o projeto é capaz de produzir, simultaneamente, elementos essenciais para a indústria de alta tecnologia, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — insumos fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa.
A expectativa da companhia é atingir produção anual de 6,4 mil toneladas de óxidos de terras raras até o fim de 2027. Esse volume poderia representar mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China.
O negócio também está ancorado em um contrato de fornecimento de longo prazo: entidades ligadas ao governo dos Estados Unidos se comprometeram a adquirir 100% da produção por um período de 15 anos, o que garante previsibilidade de receita e reforça o caráter estratégico da operação em meio à disputa global por cadeias de suprimento mais seguras.
A CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, afirmou que a integração busca fortalecer a segurança no fornecimento desses minerais nas próximas décadas. O projeto também conta com apoio financeiro de agências governamentais americanas, incluindo um pacote de US$ 565 milhões da International Development Finance Corporation (DFC).
Para o Brasil, a operação reforça o potencial do país no mercado de minerais críticos, segmento considerado chave para a transição energética e a indústria tecnológica global. Em nível local, a expectativa é de continuidade dos investimentos e impacto econômico positivo na região de Minaçu.
Fonte: A Redação – https://aredacao.com.br/empresa-dos-eua-compra-mineradora-de-terras-raras-em-goias-por-us-28-bilhoes/






