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Leilão da Itapemirim expõe manobras e suspeitas sobre a EXM Partners

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Administradora da massa falida mostra, nos autos, dificuldade para definir quais ativos — como imóveis e linhas — podem ser leiloados

Divulgação

A disputa pelo leilão de ativos da Itapemirim ganhou novos contornos. Na Justiça, as viações Suzantur e Águia Branca trocam acusações dentro do processo de leilão do que resta da viação. Operando as linhas que eram da Itapemirim, a Suzantur tenta participar do certame e acusa a concorrente de realizar uma manobra para tentar obter titularidade definitiva sobre as rotas de transporte concedidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a viação falida.

A controvérsia reacende debates sobre a condução da massa falida do grupo e coloca novamente a administradora judicial EXM Partners, que tem Eduardo Scarpellini à frente, sob escrutínio. Segundo as empresas interessadas, a falta de clareza sobre quais ativos estão disponíveis e em que condições podem ser transferidos impacta diretamente a competitividade do processo

Para a Águia Branca, a Suzantur teria adotado uma estratégia para ocupar espaço operacional em linhas antes mesmo do encerramento dos trâmites legais, o que, na visão da empresa, distorce a disputa e compromete a finalidade do leilão. A Justiça, ao negar o pleito da Suzantur, reforçou que qualquer movimentação envolvendo as linhas precisa seguir estritamente os limites da massa falida — justamente a etapa sob responsabilidade da administradora judicial.

É nesse ponto que se concentram as críticas. Desde que assumiu a massa falida, em 2022, a EXM Partners e o administrador Eduardo Scarpellini vem sendo questionados por credores, advogados de ex-funcionários e empresas por suposta falta de transparência, condução temerária e decisões que, na prática, vêm sendo percebidas como favoráveis a determinados atores do processo.

A dificuldade em esclarecer a situação real das linhas, das concessões e da titularidade operacional alimenta a percepção de que o processo falimentar está sendo conduzido de forma desigual e pouco previsível.

Como mostrou a coluna, mesmo a Viação Águia Branca oferecendo R$3 milhões por mês pelo arrendamento das linhas, as decisões judiciais seguem mantendo a Suzantur à frente. Empresa que repassa apenas R$200 mil mensais e sem clareza na prestação de contas, segundo os advogados.

A disputa envolvendo Suzantur e Águia Branca não ocorre isoladamente, mas em um cenário marcado por sucessivas decisões controversas e um passivo judicial elevado herdado da gestão de Sidnei Piva, acusado de estelionato recentemente. Para analistas do setor, a insegurança jurídica em torno do leilão compromete a atratividade dos ativos e pode reduzir o valor final obtido — o que penaliza diretamente credores e dificulta o encerramento da falência.

Advogados que acompanham a falência afirmam que a EXM Partners, de Eduardo Scarpellini, não tem fornecido informações suficientes sobre critérios de avaliação de ativos, evolução financeira da massa e justificativas para decisões que afetam diretamente a concorrência entre empresas interessadas no leilão.

A ausência de clareza nas etapas do processo e os recorrentes conflitos judiciais reforçam a percepção de que o processo falimentar está desorganizado e, em alguns momentos, conduzido de forma que favorece determinados movimentos, enquanto restringe outros.

A avaliação de concessões e permissões de transporte também se tornou um dos pontos sensíveis. Empresas afirmam que não há definição objetiva sobre quais linhas podem ser leiloadas, em que condições e se existe risco de anulação futura — uma incerteza que se agravou com a disputa aberta entre Suzantur e Águia Branca. A crítica dominante é que a administradora judicial teria falhado em organizar os ativos de forma clara e segura antes de colocá-los em disputa pública.

Como mostrou a coluna, a EXM Partners, “descobriu” que era “dona” de um imóvel avaliado em R$ 14 milhões de reais após decisão judicial. Antes, afirmou desconhecer se o imóvel pertencia ou não aos ativos da massa falida.

A situação foi denunciada à Justiça por credores da viação. O galpão estava sendo alugado ilegalmente e, no local, se instalou a empresa “Areial do Valmir”. No processo, os credores anexaram imagens do estabelecimento, incluindo o vai e vem de caminhões.

A EXM Partner admite, no documento apresentado à Justiça, que tomou conhecimento da situação apenas após a iniciativa processual. “Diante das referidas notícias, em regime de urgência, foi realizada reunião com a arrematante do imóvel contíguo, Invictus Capital Ltda., momento em que foram solicitados esclarecimentos imediatos sobre a alegada invasão e utilização do bem”, afirma a empresa no texto.

Linha do tempo

* 2016 – O fundador Camilo Cola e seus herdeiros são afastados da gestão da Viação Itapemirim – em processo de recuperação judicial – por decisão do juiz Paulino José Lourenço, posteriormente retirado do Judiciário por parcialidade e favorecimento.

* 2016 – O mesmo juiz entrega o controle do grupo ao empresário Sidnei Piva de Jesus, que compra parte das operações e assume a presidência. Piva é acusado pelo Ministério Público de estelionato e outros crimes e está desaparecido.

* 2016 a 2022 – Piva conduz o grupo, incluindo a criação da ITA Transportes Aéreos, autorizado pela EXM Partners. Operou por poucos meses, vendeu milhares de passagens, encerrou atividades abruptamente e deixou um rastro de prejuízos e quase 120 mil passageiros sem voos e sem reembolso.

* Setembro de 2022 – Após a decretação da falência, a administradora judicial EXM Partners assume a massa falida, sob responsabilidade de Eduardo Scarpellini. A atuação da empresa é alvo de críticas por suposta gestão temerária e falta de transparência nos atos da massa falida.

* ⁠2023–2025 – O processo de organização dos ativos, especialmente das linhas rodoviárias, avança com disputas judiciais, contestações entre empresas interessadas e questionamentos à condução da administradora judicial.

* ⁠Dezembro de 2025 – Justiça nega pedido da Suzantur no leilão, e Águia Branca acusa a concorrente de manobra para obter titularidade definitiva de linhas, acirrando as críticas à EXM Partners e reforçando o clima de insegurança jurídica na condução da massa falida

FONTE : METROPOLES

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