Arquivos do Correio Braziliense registram que o maior parque da história do Brasil também teve uma breve passagem pela capital federal

A estimativa é que o Playcenter tenha recebido cerca de 60 milhões de visitante ao longo de quase 40 anos – (crédito: Divulgação/ Grupo Playcenter)
Antes da popularização das redes sociais e da criação de aparelhos como celulares e tablets, os parques de diversão ocupavam um importante espaço no lazer de boa parte das famílias. Na cidade de São Paulo, funcionou por quase 40 anos o parque de diversão que foi considerado por muito tempo o maior da América Latina: o Playcenter.
O parque nasceu em 1973 e chegou a ocupar uma área de mais de 200 mil metros quadrados na Marginal Tietê, uma das vias mais movimentadas da capital paulista. Ele foi inspirado nos grandes parques que faziam sucesso nos Estados Unidos e Europa, na segunda metade do século XX, tendo como principais atrações além dos brinquedos, eventos, apresentações de artistas e até mesmo shows de baleia.
O parque foi fundado pelo empresário e engenheiro Marcelo Gutglas, que foi um dos investidores pioneiros do setor de entretenimento no Brasil, tendo sido dono de inúmeras máquinas de jukebox (aparelho eletrônico de tocar música) e fliperamas no país. Em uma viagem a Nápoles, na Itália, Gutglas visitou o parque de diversões Edenland e ficou encantado, tendo se convencido na ocasião de trazer um desses ao Brasil.
Desde a inauguração em 1973 até o fechamento por falência em 2012, o Playcenter teve mais de 60 milhões de visitantes, o que fez com que o local se tornasse um ícone da cultura pop brasileira, sendo conhecido muitas vezes até por pessoas que nunca chegaram a visitar o lugar. O parque fez tanto sucesso durante a década de 1990, que no ano de 1991 o cantor Michael Jackson fez uma visita, tendo o espaço de portas fechadas somente para ele e os convidados.
Brinquedos, diversão e memória
O Playcenter se destacou dos demais parques de diversão brasileiros pela inovação dos brinquedos importados da Itália e dos EUA. Os “brinquedões”, que com tamanhos grotescos e luzes brilhantes, fizeram durante décadas escolas e famílias do Brasil inteiro programarem passeios para visitar o parque paulistano.
No início, atrações como a roda panorâmica, trem fantasma, carrossel, twister e a montanha russa super-jet encantavam a criançada. O espaço do Playcenter também contava com lojas de lembrancinhas, lanchonetes, barracas de jogos e até fliperamas. Com o passar dos anos, novas atrações foram chegando e assim ocupando as memórias de quem teve a oportunidade de brincar no parque.
Em 1980 chegou a montanha russa alemã Looping Star, que tinha um trajeto de 592 metros de extensão, e em alguns trechos podia atingir até 80 quilômetros por hora. Brinquedos como o Barco Viking, Kamikaze, Evolution e o Splash vieram nos anos seguintes, aumentando ainda mais a lista de variedades disponíveis para diversão da criançada.
Atrações e Eventos
Para se tornar ainda mais atrativo ao público, o Playcenter decidiu ir além dos brinquedos. O parque organizava inúmeros eventos e trazia atrações, que aconteciam todos os meses no espaço, contando com decorações temáticas e até mesmo apresentações de músicos. Os mais marcantes foram as Noites do Terror, o Play Summer e as Noites Eletrônicas.
As noites de terror definitivamente fizeram parte da história do parque, com a primeira delas tendo acontecido no ano de 1988. O evento começava a partir das 21 horas, e para a realização, funcionários do parque se fantasiavam de monstros e preparavam o ambiente para o público. Ao todo foram 23 edições da noite do terror, destas, várias tiveram a participação do astro brasileiro de filmes de terror, Zé do Caixão, que chegou inclusive a participar do último comercial do evento na TV.
Um dos maiores eventos que já aconteceram no parque foi o lançamento do filme King Kong, em 1977. O Playcenter trouxe ao Brasil um boneco do gorila gigante com cerca de 15 metros de altura e que interagia com o público. Na noite de estréia do filme e da inauguração do boneco, a atriz Jessica Lange, estrela do longa, repetiu a cena em que o macaco a segura na mão. O evento teve uma grande cobertura da mídia da época, e no ano de 1977, cerca de 800 mil pessoas visitaram o parque.
O Playcenter foi pioneiro também nos shows com mamíferos marinhos de grande porte no Brasil. O parque comprou de um aquário marinho da Islândia um casal de baleias orcas, que seriam batizadas de Nandu (macho) e Samoa (fêmea). Apesar da novidade atrair bastante público, o espetáculo se tornou alvo constante de críticas de ativistas da causa animal.
A estrutura para as baleias era um complexo de piscinas com cerca de dois milhões de litros de água salinizada artificialmente. O “Orca show” aconteceu entre os anos de 1985 e 1989, ano em que a baleia Nandu veio a falecer. Com a morte do parceiro, Samoa foi transferida para uma unidade do parque Sea World, em Ohio, nos Estados Unidos, dando fim assim para sempre aos espetáculos envolvendo baleias no Brasil.
FONTE : CORREIO BRAZILIENSE






