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Vai desaparecer? Peixe popular no Brasil entra em lista de extinção

Após queda de 43% da população, peixe famoso pode ter a pesca proibida

Escassez do tambaqui varia ao longo do território e especialistas cobram regras regionais em vez de uma restrição – Foto: Wikimedia Communs

Amazônia brasileira enfrenta um novo alerta ambiental. Um peixe popular entre os consumidores da região Norte entra na lista de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, após décadas de pressão da pesca em seu habitat natural. A medida também preocupa comunidades que dependem da atividade para sobreviver.

A inclusão foi publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e prevê a elaboração de um plano para recuperar a população da espécie. Caso o documento não seja apresentado e aprovado dentro do prazo, a pesca poderá ser proibida em todo o território nacional.

O peixe em questão é o tambaqui (Colossoma macropomum), também conhecido como pacu e gamitana. Apesar de a inclusão na lista não proibir imediatamente sua pesca, a situação acendeu um alerta entre pesquisadores, pescadores e comunidades amazônicas.

Tambaqui pode ter pesca proibida no Brasil

A classificação do MMA exige um plano de recuperação populacional, que deverá ser proposto por especialistas sob coordenação do ministério. A Portaria nº 1.666 estabeleceu prazo de 180 dias, até 25 de outubro, para apresentação e aprovação do plano. Se isso não ocorrer, a pesca do tambaqui poderá ser proibida em todo o Brasil.

Peixe tambaqui entra em lista de extinção: por que?

De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o tambaqui está classificado como “Vulnerável”.

A avaliação considera uma projeção de declínio populacional de 43,4% ao longo de três gerações. A espécie ocorre naturalmente no Acre, Rondônia, Amazonas e Pará, principalmente nas planícies aluviais do rio Amazonas e em seus principais afluentes.

Pesquisadores questionam restrição geral

Diante da possibilidade de restrição, pescadores e pesquisadores pediram ao Ministério do Meio Ambiente a revisão da inclusão do tambaqui na lista ou a flexibilização da medida em determinadas regiões.

Segundo o Instituto Mamirauá para o Desenvolvimento Sustentável, a situação da espécie varia pela bacia amazônica: há regiões onde o peixe continua abundante, enquanto na bacia do rio Madeira chegou a desaparecer por um período e voltou a ser encontrado nos últimos anos.

Ambientalistas e representantes de comunidades tradicionais também criticam a falta de consulta aos pescadores. Outro questionamento envolve a falta de dados sobre a pesca artesanal em diferentes áreas.

A avaliação do ICMBio, por exemplo, reúne dados sobre desembarques apenas de regiões não protegidas, que correspondem a 61% da área de distribuição natural do tambaqui. Não há informações formais equivalentes sobre unidades de conservação e territórios indígenas, que representam os outros 39%.

FONTE : MAIS GOIAS

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