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Exportação de frutas desafia produtores de Britânia a ampliar escala e conquistar mercados

Com habilitação fitossanitária concluída, agricultores precisam estruturar a logística, padronizar a produção e negociar com compradores internacionais para transformar a oportunidade em renda.

Britânia recebeu autorização para exportar melancia, melão e abóbora ao mercado internacional | Foto: Reprodução

As condições climáticas do Vale do Araguaia e o controle de pragas estão entre os fatores que podem favorecer a expansão da fruticultura em Britânia, no oeste de Goiás. No último dia 2 de outubro, o município recebeu autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para exportar melancia, melão e abóbora, após quase um ano de monitoramento fitossanitário. A habilitação abre novas possibilidades de comercialização e reforça o potencial da atividade agrícola na economia local.

Segundo o presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta, o processo começou após uma solicitação do setor produtivo e do município. A partir disso, a agência iniciou o acompanhamento da presença da mosca-das-frutas, considerada uma praga quarentenária e um dos fatores que podem impor restrições ao comércio internacional de produtos agrícolas.

“Monitoramento são relatórios que são feitos e através desse monitoramento é possível identificar o nível de infestação por essa praga”, explicou à reportagem do Jornal Opção. 

O acompanhamento oficial deve durar pelo menos seis meses. Em Britânia, o procedimento se aproximou de um ano, período em que também foram adotadas medidas de controle pelos produtores, conforme os protocolos técnicos estabelecidos, segundo Caixeta. “No caso de Britânia, chegou próximo a um ano de monitoramento, e os resultados foram positivos”, afirmou o presidente da Agrodefesa. Com a conclusão dessa etapa, os relatórios foram encaminhados ao Ministério da Agricultura, responsável pela habilitação e pela comunicação aos países parceiros.

Com a autorização, os produtores poderão buscar oportunidades comerciais em países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos Emirados Árabes Unidos, mercados contemplados pelos protocolos mencionados pela Agrodefesa.

Oportunidade para a economia local

A autorização pode ampliar as alternativas de comercialização das frutas produzidas em Britânia, permitindo que os agricultores busquem compradores fora do mercado interno. A expectativa é que o acesso a novos destinos contribua para movimentar a economia local e também traga mais oportunidades relacionadas à produção, ao transporte e à comercialização.

Caixeta destaca que as características climáticas da região favorecem o cultivo dessas culturas. Segundo ele, a alternância entre períodos secos e chuvosos facilita o manejo agrícola, especialmente durante a estação seca, quando o controle de determinadas pragas pode ser favorecido. “Britânia tem uma característica que é propícia para o desenvolvimento dessas culturas. São duas estações bem definidas, uma estação seca e aquela estação chuvosa. E a fruta gosta mais desse clima mais seco, porque tem um controle maior das pragas”, declarou.

Para o dirigente, a habilitação também representa uma oportunidade de ampliar a renda dos produtores e fortalecer a economia dos municípios do interior. “Isso significa também ganhos econômicos, ganhos técnicos, vão ser mais oportunidades de mercado para aqueles produtores, com valor agregado até melhor do que outros mercados internos aqui”, afirmou.

A melancia tem papel de destaque na produção goiana. De acordo com Caixeta, Goiás é o maior produtor e exportador da fruta no Brasil. No ano passado, o estado exportou 33 mil toneladas de melancia para os mercados internacionais contemplados pelos acordos comerciais citados pelo dirigente.

A inclusão de Britânia nesse grupo amplia a participação de municípios do interior na cadeia de exportação de frutas. Para que a oportunidade se transforme em resultados econômicos, entretanto, os produtores precisarão atender aos padrões exigidos pelos compradores e organizar a comercialização.

Exportação depende de compradores e logística

A autorização fitossanitária não significa que as exportações começaram imediatamente. Após a habilitação, os produtores precisam negociar com compradores internacionais, definir volumes e preços e estruturar o transporte da mercadoria.

Segundo Caixeta, a habilitação corresponde à etapa oficial do processo, enquanto as negociações comerciais dependem principalmente da iniciativa privada. “A parte oficial é exatamente fazer a habilitação. A parte comercial, aí ela vem principalmente da iniciativa privada. É os produtores buscarem os compradores, os players do mercado e também organizar a logística”, explicou.

A proximidade geográfica com países do Mercosul favorece o transporte rodoviário, enquanto o acesso a mercados mais distantes, como os Emirados Árabes Unidos, exige uma estrutura logística mais complexa. “Os países do Mercosul, Paraguai, Argentina, Uruguai, principalmente, são os principais destinos. Nesse caso, toda a logística é feita no modo rodoviário”, afirmou.

O transporte precisa considerar o tempo de conservação das frutas e as condições necessárias para que os produtos cheguem ao destino com qualidade. Por isso, a escolha do modal e o planejamento dos embarques são fatores importantes para a viabilidade das operações.

Além da logística, a capacidade de produzir frutas com qualidade padronizada e em volume suficiente está entre os principais desafios para atender ao mercado internacional.

Para Caixeta, o avanço das exportações depende da profissionalização da atividade e do investimento em tecnologia. “O principal desafio é esse, que é a profissionalização, a tecnificação e tecnologia para que a gente tenha qualidade e padronização. E também volume, porque os mercados também exigem volume”, destacou.

A Agrodefesa acompanha o cumprimento das exigências fitossanitárias e orienta os produtores sobre os protocolos necessários para manter a produção dentro dos padrões estabelecidos.

O presidente afirma que outros municípios goianos também demonstraram interesse em obter a habilitação e estão em fases avançadas do monitoramento. A expectativa é ampliar o número de localidades aptas a exportar essas culturas, fortalecendo a fruticultura como alternativa de desenvolvimento econômico no interior do estado. “Temos mais alguns municípios que já mostraram interesse e estão em uma fase já adiantada para fazer esse monitoramento. A gente deve ampliar os municípios”, concluiu Caixeta.

FONTE : JORNAL OPÇÃO

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